Publicado por: Dan Caumo | 20 maio, 2008

A construção do pensamento do século XX

 

O século XX é considerado um período de grandes mudanças por vários historiadores como o egipício Eric Hobsbawm, um dos principais pesquisadores do tema. Ele destaca; na obra “The Age of Extremes: the short Twentieth Century, 1914-1991”, lançada no Brasil com o título: “Era dos Extremos: o Breve Século XX, 1914-1991”; que os impasses e catástrofes ao longo do século, edificaram o mundo no qual nos inserimos hoje. Hobsbawm é um estudioso marxista que orientou o seu trabalho a partir de tal ideologia para entender os paradigmas que provocaram a estrutura social vigente; porém, para entender como esta foi construída, devemos recorrer a âmbitos mais abrangentes do que o ideológico e político; mais, devemos entender os paradigmas que atravessaram do século XIX para o XX e fundamentaram os principais eventos deste.

                

Herdeiros do Iluminismo, os principais pensadores do século XIX tiveram, nas noções de Estado soberano baseado no “contrato social” de Jean-Jacques Rosseau, o modelo político básico para o sistema social; e na filosofia metafísica de Immanuel Kant, base para o modelo científico. Destaca-se o fato de que antes de Rousseau, a idéia de Estado não estava alinhada à idéia de contrato social, o que significa dizer, que o Estado era uma propriedade das famílias reais e da Igreja e não uma estrutura que buscasse políticas para atender os interesses gerais do povo. Enquanto Kant, além de complementar a filosofia moral de Rosseau com o seu conhecido imperativo categórico[i], ainda torna-se grande referência no desenvolvimento da filosofia e de todas as ciências modernas a partir de sua principal obra, a “Crítica da Razão Pura”; antes de Kant estavamos condicionados a entender o mundo com base no empirismo puro, na experiência e na fenomenologia; Kant atenta para o invisível, afirma que não conseguimos conhecer os objetos reais, conseguimos apenas conhecer o que somos capazes de pensar sobre eles, e a esta filosofia dá o nome de  “idealismo transcendental”. A ciência, a partir da filosofia transcendental, passa a entender que as experiências sensoriais e fenomenológicas não são suficientes para o conhecimento da realidade; funciona, isto sim, como meio de interação que permite verificar hipóteses; mas que não devem limitar o pensamento racional; ou seja, Kant defende a idéia de uma realidade metafísica que deve ser entendida através de estudos epistemológicos. É a partir destes paradigmas que os grandes pensadores do século XIX desenvolvem os seus estudos: seja  a filosofia científica da linguagem de Charles Peirce, também conhecida como semiótica peirciana[ii], que busca o entendimento da realidade além das impressões que temos determinadas pelas relações linguísticas, e a concepção arbitrária dos signos de Saussure, que faz a distinção entre mundo real e a sua representação; a filosofia da intelegibilidade total ou idealismo absoluto de Hegel, que entende a razão não apenas a partir do conjunto de princípios e idéias pelos quais pensamos o mundo, mas como a realidade do ser, a ontologia das coisas; e o materialismo dialético histórico de Marx, no qual defende a teoria de  que é a realidade material que produz as condições às quais o homem se expõem e, portanto, não são as idéias que produzem a realidade, mas a realidade que produz idéias. O trabalho de Kant não serve apenas como paradigmas para as teorias do pensamento, mas também é motivo de oposições como a “genealogia dos valores” de Nietzsche, com sua crítica à política, cultura ocidental e a moral judaico-cristã, que para ele servem como máscaras para esconder uma realidade inquietante, ameaçadora e difícil de suportar. Nietzsche representa a separação definitiva entre a produção de conhecimento e a Igreja, não que antes não houvessem filósofos ligados ao laicismo (como é o caso de Rousseau) nem que permanecessem outros que pensassem o transcendentalismo dentre as tradições teológicas; mas Nietzsche é um marco para a busca de uma educação laica e a pesquisa científica fora das grandes organizações e centros acadêmicos europeus não adeptas a qualquer religião; através da suas críticas e do seus trabalhos onde chega a citar a morte de Deus[iii]. Se antes pensadores pertecentes ao corpo da Igreja dominavam as teorias do pensamento, como Tomás de Aquino e  George Berkeley; a partir de então, a busca pela razão extramoral e a razão moral extrareligiosa são bases fundamentais para o desenvolvimento da filosofia ocidental. A obra “A Origem das Espécies” de Charles Darwin é uma amostra dos trabalhos, anteriores a Nietzsche, que buscam explicações extra-religiosas para a realidade; apesar de estar matriculado em uma universidade tradicional vinculada a Igreja, a Universidade de Cambridge, para tornar-se clérigo. Em um grau menor, a obra de Nietzsche, e, de forma expoente, a de Darwin, são de grande impacto nos paradigmas do início do século XX.

               

Em seu período de formação, Darwin dedicou-se a um intenso estudo das ciências práticas, principalmente em botânica e geologia; mas Darwin recebeu conhecimento de teorias de muitos outros pensadores das ciências exatas, que como ele, também freqüentaram a Universidade de Cambridge. Malthus, importante economista britânico, era um dos pensadores que se formou em Cambridge e foi estudado por Darwin. O economista tinha forte influência das filosofias morais de Hume e Rousseau, e buscava entender a economia dentro os aspectos morais e as noções da função econômica dentro da estrutura social. Até então os estudos na área da economia orientavam-se para a utopia que o grande desenvolvimento econômico promovia, Adam Smith era o principal teórico e a sua idéia de liberalismo econômico vigorava como hegemônica. As teorias de Smith tinham grande clamor tendo em vista o grande crescimento da burguesia, sustentado pelo livre comércio e pelo desenvolvimento indústrial que gerava técnicas cada vez mais produtivas; e a inexistência das políticas trabalhistas, o que permitia mão-de-obra muito barata, e por conseguinte grande acúmulo de riqueza entre os praticantes desta ideologia que tinham capital suficiente. Todos estes aspectos geravam uma perspectiva bastante otimista a respeito do desenvolvimento da civilização européia e industrial. Malthus é um dos precusores de um paradigma cético quanto aos benefícios da industrialização e do processo científico; em seu estudo bastante conhecido relaciona o crescimento da população com uma progressão geométrica, enquanto o crescimento da produção de alimentos dar-se-ia em progressão aritmética. A Europa, observada por Malthus no final do século XVIII e início do século XIX, passava por processo de intensa urbanização devido a industrialização e a mecanização do trabalho no campo, e crescimento populacional gerado pela diminuição da mortalidade de vida; para o economista, o crescimento populacional não é um índice adequado para indicar a melhoria das condições de vida; enquanto na sociedade pré-industrial, a escassez de recursos condicionava  a apertadas formas sociais autoritárias; na sociedade industrial, a aparência de recursos abundantes gerada pelo tecnicismo gera a miséria e o vício, já que os recursos não seriam suficientes para todos. O paradigma malthusiano sobre a economia política e a relação entre a limitação do crescimento populacional com a incapacidade de produção de recursos para todos é chave importante para o marxismo e as teorias revolucionárias de Darwin. Enquanto Marx direciona seus estudos para as políticas econômicas, os estudos das divisões de classes provocadas pela propriedade privada, os modos de produção, o materialismo histórico e a luta das classes; Darwin associa a limitação dos recursos com a seleção natural das espécies; contrapondo a hegemônica teoria do criacionismo que, por séculos, foi base de sustenção para a fé cristã.

No plano acadêmico, os pensadores do final do século XIX e início do século XX dividiam-se, de forma abrangente, em tecnófilos[iv] e tecnófobos[v]. Os tecnófilos eram aqueles que viam no desenvolvimento das ciências e técnicas, a partir da industrialização, fim em si próprio, pois significariam em sua própria ontologia o avanço do homem como espécie; entre estes destacaram-se os positivistas, que embora tenha a sua gênese ainda no início do século XIX com Auguste Comte, terá o seu grande repercussão no final do século e início do século XX. Na área dos tecnofóbos, destacam-se os que viam na máquina uma ameaça a natureza humana, alguns grupos chegaram a reunir-se para a destruição de grandes indústrias na Europa. Evidente que dentre estas duas abordagens, a tecnófila e, por conseguinte o positivismo, encontravam maior apoio na burguesia, detentora dos meios de produção; e entre aqueles que mais experimentavam um avanço na qualidade de vida a partir do desenvolvimento tecno-científico; enquanto a tecnofobia era sustentada por grupos proletarios que viam no modelo vigente uma forma de exploração. Destaca-se que neste período, a esfera pública[vi] também apresentava um grande crescimento, promovido por urbes maiores, onde grupos mais concentrados poderiam produzir o conhecimento denominado senso comum de forma mais coesa, além de atuar com maior vigor sobre os governos. Soma-se aos fatores citados, uma maior escolaridade daqueles que residiam nos centros urbanos e o surgimento de uma imprensa mais independente – devido ao crescente mercado consumidor proveniente do aumento da população letrada – em relação à política. A imprensa passa a funcionar com maior vigor sobre a esfera pública em um contrato que, a priori, serviria como órgão de pressão e fiscalização das políticas governamentais. Porém, outros grupos não acreditavam no modelo vigente, sustentados na crítica sobre a técnica utilizando obras de Marx e Engels como referência de um modelo onde os meios de produção e a sociedade poderiam estar em harmonia de forma completa, não atendendo apenas os interesses das parcelas burguesas. A idéia de fim da propriedade privada com produção dividida de forma igualitária, defendida em “O Manifesto Comunista”, ganhou muitos adeptos na Europa, principalmente entre o proletariado, mas também entre alguns intelectuais. Em Londres, em 1981, Oscar Wilde escreveu o ensaio “A Alma do Homem Sob o Socialismo”, que tornou-se uma das principais obras críticas a respeito da administração da técnica. Porém, as idéias marxistas não ficaram restritas aos contornos do continente europeu; Jack London, cuja a biografia pode ser conferida em outro artigo, é um exemplo de repórter norte-americano que se apoia na argumentação crítica de Marx sobre a política econômica, para fazer a sua crítica à administração vigente na Inglaterra quando faz a sua reportagem sobre o subúrbio londrino de East End em 1902. Devemos destacar, porém, que em várias passagens de sua obra, London parece bastante alinhado às idéias de Darwinismo Social[vii] e Eugenia[viii], apesar de a sua postura moral sobrepujar qualquer noção de segregação social. Devemos destacar que pensamentos alinhados a aplicação social das teorias de evolução darwinistas eram muito comuns na Europa naquele período. O modelo de política econômica internacional era o do imperialismo das potências européias sobre colônias por todo o globo. O darwinismo aplicado na sociedade através da Eugenia sustentava este modelo político, já que os europeus acreditavam que poderiam levar a civilização e a sua “genética superior” a todos os cantos do globo. Com isto, por toda a Europa no final do século XIX e início do século XX era possível ver jardins zoológicos humanos[ix]  – também conhecidos por exposições etnológicas ou aldeias negras – onde populações exóticas retiradas das colônias eram exibidos entre animais em “reconstituições de seus habitats”. A idéia surgiu nos anos 70 do século XIX paralelamente em vários países europeus. Nativos da Samoa, Lapônia, Sudão, entre outros locais do mundo, eram apresentados em eventos pelas principais capitais européias, incluindo Paris, Londres e Berlim, e faziam enorme sucesso. Esquimós, aborígines, africanos e indíos eram apresentados como uma atração. Em Paris, em 1900, a mais famosa delas foi promovida paralelamente aos Jogos Olímpicos. Sua atração principal era um diorama[x] vivo de Madagascar que teve a visita de aproximadamente 50 milhões[xi] de pessoas. A imprensa dava muito destaque às exibições, promovendo-as com frases como: grupo de animais exóticos, acompanhados por indivíduos não menos singulares“. Cientistas do período buscavam hierarquizar as “raças” em uma escala evolucionista. Seguindo o pensamento vigente não é estranho visualizar o posicionamento das classes oprimidas como de East End em Londres como uma raça inferior dentro da teoria evolucionista aplicada a sociedade. Contudo, Darwin não acreditava na aplicação de sua teoria na ordem social ou na política. Além dos estudos genéticos, a Teoria de Darwin é de suma importância no que se transformou em uma das principais abordagens de teorias do conhecimento do século XX: o estudo da psiquiatria freudiana e da neurologia para o entendimento do  processo de cognição.

               

É notável o paradigma de Hobsbawn no estudo histórico do século passado; porém, a partir dos pressupostos da filosofia deste período, ou seja, as teorias como o materialismo dialético e o materialismo histórico de Marx, o idealismo transcendental de Kant, a semiótica peirciana e o idealismo absoluto de Hegel,  não podemos considerar o século XX como um período de grandes mudanças: o processo de urbanização já existente apenas se intensificou; a globalização transformou-se em sociedade em rede[xii] com o advento da Internet, mas os fluxos de informação, agora mais rápidos, ainda mantém as mesmas proporções em âmbito global, em favor dos centros europeus e norte-americanos, que tinham no início do século passado; as tecnologias evoluíram, a robotização provocou a diminuição da quantidade de empregos no segundo setor e há uma grande parcela da população localiza-se agora na economia informal, sem qualquer direito trabalhista, como era comum nas indústrias no início do século. A técnica e a tecnologia criam a falsa impressão de desenvolvimento; acreditamos ter vivenciado um grande avanço com o advento da internet, mas a estrutura social de segregação de classes continua a mesma. Se antes tínhamos analfabetos e, com algumas medidas administrativas, amenizamos o problema; agora criamos outro problema, o do analfabetismo digital. Admitindo que tomemos medidas semelhantes as que buscaram a diminuição do analfabetismo convencional para o digital, o problema continuará a persistir, já que no modelo vigente, sempre haverá uma classe que detém as novas tecnologias muito antes que o restante da sociedade. Porém, a proposição de Hobsbawn de que o século foi moldado a partir de impasses e catástofes é bastante clara, quando temos em conta as duas grandes guerras, além de inúmeras outras guerras regionais, o holocausto, o genocídio na Armênia e em Ruanda, etc. Entendendo o conceito de eugenia, já destaca anteriormente, fica claro a contextualização destes desastres no processo histórico; entretando, a proposição do historiador pode ser aplicada a séculos anteriores, e as catástrofes não podem sobrepujar todas as relações sociais vividas no dia-dia dos dominates e dos segregados, e toda a interferência que o pensamento provoca na forma como os homens percebem a realidade. O processo de imperialismo iniciou-se muito antes, assim como a dominação da cultura européia, as “exibições etnológicas” que  já ocorriam no século XIX são exemplos. Tendo em vista as milhares de aldeias africanas saqueadas pelos traficantes portugueses e britânicos, e os milhões de escravos transportados para toda a América, incluindo o Brasil, não podemos nos restringir a supervalorizar o evento holocausto frente a todos as catástrofes da humanidade. A idéia de hierarquia racial já era comum naquele período; europeus conquistaram a América segregando todas as civilizações que aqui existiam; a dominação do mundo por uma possível “raça superior” não é invenção de Hitler; porém é um desastre a ser lembrado dentre todos aqueles que constituiram a existência humana. Não devemos, todavia, relembrar fatos como o holocausto em seus fatores particulares; mas na ontologia do acontecimento, para que possamos associá-lo a todos os modos de segregação existentes afim de construir uma sociedade integrada, democrática e igualitária, buscando nos valores dos grandes filósofos morais os pressupostos para este modelo. A responsabilidade social é resgatar os povos dos “abismos[xiii]” nos quais foram confinados

 


[i] “Age de tal modo que a máxima da sua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal”

[ii] Peirce atenta para os conceitos de primeiridade, secundidade e terceiridade. A primeiridade é a qualidade da consciência imediata, em relação ao texto é a sua compreensão superficial. A secundidade é a relação que se encontra na arena da existência cotididana; é a leitura com compreensão e profundidade de um texto. A terceiridade corresponde a intelegibilidade da realidade e do texto, é o pensamento através dos signos.

[iii] Em “Die fröliche Wissenschaft”, de 1888, traduzido sob o título de “Gaia Ciência”, o Homem Louco diz: “Deus está morto. Deus continua morto. E fomos nós que o matamos.”

[iv] Neologismo formado pela junção dos termos gregos techné e filia. Techné significa arte, porém não no sentido ao qual esta palavra é aplicada atualmente; já que não havia a distinção da Grécia entre o que conceituamos hoje como arte do que conceituamos como técnica. Filia, cujo significado é proximidade.

[v] Neologismo a partir de techné e fobia, que designa medo.

[vi] Termo de Jürgen Habermas, – importante filósofo e sociólogo alemão da atualidade que desenvolve seus trabalhos a partir da Escola de Frankfurt -  para designar o espaço onde desenvolve-se a opinião pública, que é a opinião perceptível, a partir do agregado de todas as opiniões; porém, a opinião pública não corresponde exatamente aos interesses gerais da população; já que dentro da sociedade a opinião de algumas parcelas são mais destacadas que outras.

[vii] Darwinismo Social é um termo utilizado pelo historiador norte-americano Richard Hofstadter, em 1944, para designar o pensamento desenvolvido entre os séculos XIX e XX, a partir das idéias de Malthus e Darwin, que aplicaram a noção de sobrevivência e seleção natural do mais apto dentro da sociedade.

[viii] Termo de Francis Galton, primo de Darwin, que entendia que o homem poderia ter as suas capacidades apuradas através de um processo de “melhorias hereditárias”.

[ix] Artigo do jornal francês “Le Monde” de agosto de 2000, escrito por Nicolas Bancel, Pascal Blanchard e Sandrine Lemaire, e traduzido por Nena Mello sobre o título “Os jardins zoológicos humanos”. O artigo é acessado no endereço: http://diplo.uol.com.br/imprima1814

[x] Uma reconstituição física em uma sala escura de um cenário real.

[xii] CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz & Terra, 1999.

[xiii] Em referência a reportem “O povo do abismo” de Jack London.

 

 

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Responses

  1. Adorei o Artigo sobre a construção do Pensamento. Trabalhou os principais autores do século XIX e XX. E o texto ficou leve e maravilhoso.

    Parabéns.

  2. Gostei pakas…me ajudou bastante…
    ^^

    Abraço.


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